O Baixo Sul e um pouco da sua história:

Historicamente, a região do Baixo Sul caracterizou-se como área pioneira no processo de ocupação do Brasil, iniciado no século XVI. Os primeiros 50 anos de colonização correspondem ao início da transformação da mata em áreas agriculturáveis nas ilhas de Cairu e nos principais pontos de penetração continental, ciclo que foi interrompido na parte continental pela hostilidade dos índios Aimorés.

Neste momento aumentaram as pressões sobre as áreas naturais das próprias ilhas, visto que a região já na época foi considerada como estratégica para o fornecimento de farinha de mandioca para Salvador e Recôncavo.

Após a considerada “pacificação” dos índios, a frente agrícola voltou com toda a força para as áreas continentais e suas terras mais férteis. Nessa época, Camamu foi considerado o maior porto de farinha da Colônia. Este ciclo só se interrompeu nos meados do século XX, a partir da decadência do sistema de transporte hidroviário e a ascensão do transporte por rodovias, que abriu novas frentes de abastecimento, para a Região Metropolitana de Salvador em formação inicial.

O Baixo Sul caracterizou-se também como área pioneira no processo de ocupação da região, pois as principais vias de penetração para o interior tiveram como ponto de origem os municípios de Cairu e Valença. No Século XVI em 1534, tabuleiros costeiros de Valença desde a região de Jaguaripe até Ilhéus, compreendia o “Baixo Sul”, era região habitada pelos índios tupiniquins, passaram a pertencer à Capitania de São Jorge dos Ilhéus com o maior litoral entre os municípios do estado, foi fundada em 1536 como “Vila de São Jorge dos Ilheos”, e elevada cidade  “Ilhéus” em 1881.

A era pós-ciclos econômicos extrativistas do pau-brasil e exploração da cana-de-açúcar, Valença se constituiu em um núcleo de desenvolvimento regional que viria a se fortalecer a partir da segunda metade do Século XIX, uma microrregião que caracterizava, diferentemente da época colonial e do litoral sul, pelo policultivos com plantios de: arroz, cana-de-açúcar, café, mandioca, pimenta do reino, canela e áreas ainda em formação com plantios de especiarias.

Valença foi elevada à condição de vila em 1789 e depois de dez anos Valença tornou-se município, em 23 de janeiro de1799, desmembrada de Cairu, também município desde 1606. Em 1844, foi inaugurada a “Fábrica de Tecidos Todos os Santos”, recebendo a denominação de “Cidade Industrial de Valença”.

O município de Camamu surgiu em 1891, que na época era o maior exportador de farinha de mandioca do país, também era o segundo município de maior importância da Bahia.

Os municípios Nilo Peçanha e Taperoá têm uma história comum, haja vista as sucessivas extinções e recriações no Século XIX. Nilo Peçanha tornando-se municípios em 1916 e Taperoá 1930.

Ituberá passou a categoria de município em 1909 e se chamava Santarém, passou a receber o nome de Ituberá em 1944.

Igrapiúna pertencia ao município de Camamu, era distrito, vindo a acontecer sua emancipação política em de 1985.

Com a construção da rodovia Santo Antônio de Jesus até Gandu, 1940, ocorreu o desenvolvimento do território de Teolândia. O até então, arraial, e depois distrito de Burietá, com o crescimento do comercio e da agropecuária, foi elevado a município em 1962, desmembrado do município de Taperoá.

Assim sendo o território Baixo Sul é composto por 15 municípios cada um com sua história (Aratuipe, Jaguaripe, Cairu, Valença, Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá, Igrapiuna, Camamu, Ibirapitanga, Piraí do Norte, Gandu, Wenceslau Guimarães, Teolândia e Presidente Tancredo Neves).

Aspectos Ambientais

O território do Baixo Sul predomina a Mata Atlântica, denominação genérica que se aplica a diversas formações florestais fisionômica e floristicamente distintas. De acordo com o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA (1992), cerca de 30% do Estado da Bahia era originariamente coberto por Mata Atlântica apesar da grande importância biológica, o bioma Mata Atlântica está entre os mais ameaçados do mundo.

Considerando-se a destruição ocorrida nos últimos dez anos, estima-se que existam apenas cerca de 7% dos remanescentes de Mata Atlântica em todo o país, que ficarão ainda completamente reduzidos e restritos às unidades de conservação, caso as taxas de desmatamento não sejam revertidas.

Todo o processo de destruição desse bioma está diretamente relacionado à colonização europeia do território brasileiro e aos cinco séculos de ocupação humana baseada no extrativismo e uso predatório dos recursos.

No caso do Baixo Sul, o padrão de ocupação e uso dos recursos naturais não foi diferente do verificado no resto da Mata Atlântica. Sendo uma das regiões mais antigas de colonização no Brasil, iniciada ainda no século XVI, ela é historicamente relacionada ao abastecimento de alimentos para a cidade de Salvador.

O desmatamento ocorrido na Microrregião está relacionado a uma forte pressão pelo uso da terra e pode ser explicado por vários fatores: exploração madeireira, extrativismo, ampliação da área cultivada, crise da cacauicultura e incorporação de novas culturas agrícolas. Mesmo com elevado nível de desmatamento, a Mata Atlântica no Baixo Sul ainda apresenta importantes remanescentes florestais em diferentes estágios de regeneração.

As áreas de restinga, manguezais e cabruca (plantio em áreas de sub-bosque, sombreado com espécies arbóreas da Mata Atlântica) podem ser consideradas de fundamental importância para a fauna da microrregião. O Baixo Sul é um mosaico de Áreas de Proteção Ambiental (APAs), sendo constituído por cinco delas: Pratigi, Guaibim, Caminhos Ecológicos da Boa Esperança, Tinharé/Boipeba e Baía de Camamu.

As riquezas naturais: matas, praias, rios, cachoeiras, manguezais, restingas, coqueiros constituem a maior parte de sua paisagem. A responsabilidade com a nova consciência ambiental surge com as transformações culturais que ocorreram nas décadas de 60 e 70, ganhou dimensão e situou o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.

A incorporação da variável ambiental como uma nova referência para o desenvolvimento territorial exige mudanças de comportamentos nas bases de articulação da economia integrada ao meio ambiente, as quais passam a se referenciar na conservação e no uso racional dos recursos naturais e dos ecossistemas, relevantes pela sua biodiversidade em termos de flora e fauna.