Cesol Baixo Sul mantém assistência aos empreendimentos econômicos solidários, em tempos de pandemia Centro Público de Economia Solidária assessora a produção e comercialização de máscaras de proteção e de alimentos

A pandemia do novo Coronavírus mudou o cenário de atuação das organizações que atuam na assistência aos pequenos empreendimentos e o Cesol Território Baixo Sul tem desempenhado um papel fundamental na assistência aos produtores da região.

Carine Silva Reis, Coordenadora Geral do Cesol Baixo Sul, com sede em Nilo Peçanha, disse ao Portal Baixo Sul, que a assistência do órgão era diretamente ligada aos encontros presenciais com as atividades como reuniões, cursos de formação, palestras, eventos de comercializações e  assistências individuais e para grupos, voltadas para a gestão e comercialização da produção.

Segundo Carine, a partir de março, com o início da pandemia, todo esse cenário foi transformado. “O Cesol não deixou de assistir os empreendimentos e por conta da tecnologia a gente entendeu que essas ferramentas foram fundamentais para a continuação do diálogo. A equipe continua trabalhando na sede, em Nilo Peçanha, e na medida do possível, a assistência tem sido pontual, respeitando o distanciamento social”, ressaltou.

O Centro Público continua promovendo reuniões online, por meio de ferramentas digitais, a fim de manter o fluxo e encaminhar as demandas. “O trabalho não foi parado e posso afirmar que estamos trabalhando mais ainda, pois as ações ligadas à logística da produção e comercialização dos produtos se tornaram ainda mais complexas, com o cenário de limitações de transporte público e de isolamento social, fazendo-se necessário o desenvolvimento de outras habilidades e estratégias”, destacou Carine.

COMERCIALIZAÇÃO DE MÁSCARAS DE PROTEÇÃO

No início da pandemia, a partir de uma demanda oriunda da SETRE – Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, o Cesol Baixo Sul identificou Empreendimentos que trabalham com corte e costura, capazes de produzir máscaras de proteção.

A partir de então, foi feito um levantamento por meio de reuniões online e se criou uma rede de produção com os empreendimentos assistidos. Este mapeamento se mostrou bastante eficaz, pois a partir do momento em que as demandas começaram a aparecer, os grupos que já estavam organizados em rede, conseguiram atender a um quantitativo de máscaras que nenhum deles conseguiria produzir sozinho.

Foi o que aconteceu com a demanda apresentada pela Universidade Federal do Sul da Bahia, que na ocasião, os empreendimentos que fazem parte da Rede Baixo Sul de Empreendimentos Econômicos Solidários, produziram 20 mil máscaras descartáveis de TNT, gerando uma receita de R$ 53.000,00 para os grupos da região.

Os empreendimentos conseguiram aumentar as suas rendas através desse edital, mas o mais importante foi a percepção de que o trabalho solidário é algo além da geração de renda, é a certeza de que todas as 24 costureiras se sentiram valorizadas e conseguiram prover rendimentos em meio a um cenário nada favorável. Os nove empreendimentos que permanecem comercializando máscaras de proteção estão localizados nos municípios de Ituberá, Taperoá, Valença e Teolândia.

COMERCIALIZAÇÃO DE ALIMENTOS E LOGÍSTICA

Um dos grandes desafios do Cesol Baixo Sul para manter a assistência aos produtores de alimentos, foi se adequar para o escoamento da produção, mantendo o distanciamento social e seguindo os protocolos de segurança.

Nesse sentido, Carine informou que a equipe se debruçou para discutir de que forma o Espaço Solidário Baixo Sul, loja apoiada pelo Cesol e gerenciada pela Cooperativa Feminina da Agricultura Familiar e Economia Solidária – Coomafes, localizada na Rua General Labatut, em Valença, iria continuar garantindo a comercialização dos empreendimentos.

A loja, que antes da pandemia, tinha 70% das vendas oriundas de alimentos processados (beijus, biscoitos, polpas…), por necessidade da procura de produtos in natura, em função do fechamento das feiras livres, inverteu a comercialização dos produtos, passando a comercializar cerca de 70% de produtos advindos da agricultura familiar.

Esses produtos estão disponibilizados no site do Espaço Solidário (https://www.goomer.app/espaco-solidario-territorio-baixo-sul ). Você pode receber seu pedido em casa ou retirar diretamente na loja, em Valença.

Além da comercialização no Espaço Solidário, o Cesol, em parceira com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) possibilita a comercialização de alimentos da Agricultura Familiar, através da Plataforma Raízes do Brasil, através do site: https://www.goomer.app/rederaizesdobrasilbahia

Carine ressalta que além da geração de renda nesse território diversificado, estas oportunidades se traduzem em valorização do campo e demonstra cada vez mais a importância da produção agroecológica para a população em geral.

CESTAS PARA DOAÇÃO

Para enfrentar os impactos gerados pela pandemia do Coronavírus, sobretudo na soberania alimentar das populações necessitadas, o CESOL construiu uma parceria com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), aderindo a Campanha Mutirão Contra a Fome, lançada nacionalmente pelo movimento, visando arrecadar alimentos e distribuir para a população em situação de fome, bem como fortalecer o povo do campo e a transição agroecológica a partir da compra de uma parcela dos alimentos para distribuição.

Empreendimentos assistidos pelo Cesol do Território Baixo Sul já comercializaram 520 cestas agroecológicas e solidárias, que foram distribuídas para pessoas da comunidade da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab, Campus dos Malês, em São Francisco do Conde/BA.

Fotos: Cesol/Baixo Sul

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